Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Opinadela: Opiniões, há muitas!

Será ironia uma Opinadela deste blogue ter como título: “Opiniões, há muitas!”? Ou talvez, chegando ao fim deste texto, a melhor classificação seja hipocrisia. Ou não. Mas a verdade é essa: Opiniões, há muitas!

Como seres racionais e em relação com o mundo e com os outros, todos temos as nossas opiniões. E a sabedoria popular avisa-nos: As opiniões são como os “traseiros”, cada um tem o seu. (Gostaram da tentativa de não escrever “cú”?). Ou então aquela máxima que nos diz que: “Devemos respeitar as opiniões dos outros”. Não se trata de aceitar ou abraçar a opinião dos outros, mas sim apenas de respeitar a sua opinião.

Discutir opiniões não é nada de novo. Ou achavam que a expressão “opinião de café” surgiu do nada? Há uns anos, os cafés eram o sítio onde expressávamos as nossas opiniões com amigos, ou até mesmo desconhecidos. E todos nós erámos “opinadores de café”, mesmo não estando num café. Dávamos a nossa opinião, discutíamo-la e, às vezes (muitas mais que poucas), geravam-se zangas e escaramuças. Já todos sabemos que não somos perfeitos.

Entretanto, a “opinião de café” deu origem à “opinião de internet”, inicialmente acessível a alguns, mas hoje, com as redes sociais e a tecnologia, ao alcance de todos (ou quase todos). Olhem só para mim aqui a opinar!

 E, contentes, pensávamos que esta ampliação da opinião – que agora perdura no tempo (porque na internet parece que tudo fica para sempre) e que tem um alcance muito além do “café” ou do nosso círculo de conhecidos – seria um sinal de agradável evolução, eis que a humanidade nos surpreende com o que já não nos devia surpreender: a nossa vertente “opinadora” tornou-se mais agressiva, mais impositiva.

Já não nos limitamos a dar opinião, queremos impor a nossa opinião. Já não o fazemos naquela nossa zona de conforto e de proximidade, agora opinamos para todo o mundo ver e ouvir.

Mas o pior é que, agora, ficamos muito facilmente ofendidos pela opinião dos outros. Umas vezes simplesmente por ser diferente da nossa. Outras vezes ficamos ofendidos (com razão) porque são opiniões estúpidas. Eu bem vos avisei no início que este texto podia ser hipócrita, mas esta é a verdade: por muito que tentemos respeitar as opiniões dos outros, algumas opiniões são demasiado provocatórias ou estúpidas. Porque são desinformadas, porque são agressivas, porque são divulgadas em lugares ou momentos inoportunos.

E a necessidade de ter uma opinião e a berrar ao mundo parece crescer a cada dia que passa.

Devemos, então, limitar as opiniões? Não, óbvio que não. Mas podemos construir verdadeiras opiniões informadas e apresentá-las de maneira a serem claras, compreensíveis e o menos ofensivas possível (se calhar escrever inofensivas seria ir longe demais) para os outros.

Ou então não. Continuamos da distribuir opiniões como quem distribui cachaços no recreio da escola. Sem qualquer racionalidade e com o único intuito de provocar o outro. Porque opiniões, há muitas! E a minha vale o que vale.

Para terminar, fiquem lá com umas frases bonitas sobre a Opinião:

 

«Os homens são movidos e perturbados não pelas coisas, mas pelas opiniões que eles têm delas.» - Epicteto

 

«O facto de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de facto, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata.» - Bertrand Russell

 

«Deve valorizar-se a opinião dos estúpidos: são a maioria.» - Tolstoi

 

«Mais fácil é unir distâncias, que casar opiniões e entendimentos.» - Pe. António Vieira

 

«Exteriorizar impressões é mais persuadirmo-nos de que as temos do que termo-las.» - Fernando Pessoa

 

«Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia.» - Fernando Pessoa

 

«Uma opinião que se tem passa pela pessoa que somos e não pelas razões para a ter. É por isso que todos têm opinião e poucos informação para isso. Mas é por isso também que a mesma informação pode dar opiniões contrárias. Porque tudo se pode trocar, menos a pessoa que se é.» - Vergílio Ferreira

 

 

Relembro que este blog já está presente no Facebook: Graforreia Intermitente.

Opinadela: Ateus-Carrapato e Maioria Cristã

post de hoje tem como ponto de partida o texto de opinião "Os ateus-carrapato" de Maria João Marques no Observador.

Em jeito de declaração de interesses, deixem-me, desde já, esclarecer que fui educado como cristão católico, contribui para a educação de outros nessa mesma fé e fui muito ativo na minha paróquia - não só como participante, mas também como voluntário e/ou como responsável por determinadas áreas paroquiais. 

Claro que estar tão inteirado dos assuntos paroquiais e conviver com os seus responsáveis me fez perder toda a confiança na igreja dos Homens, mas mantenho a minha fé - há quem lhe chame Fé Pessoal - na mensagem cristã. Considero-me um cristão à margem da igreja humana.

Voltando ao texto de Maria João Marques.

Por um lado concordo com a autora quando expõe a existência de ateus que parecem perseguir todos aqueles que resolvem colocar a sua Fé numa Religião - designados ali de "ateus-carrapato". A Fé (ou a profissão de uma fé) é um direito individual e, por muito que um determinada crença nos pareça irracional, ignorante, anormal ou doentia, é um direito que não deve ser negado a ninguém. Todos somos livres de acreditarmos no que quisermos e ninguém deveria ser julgado pela sua crença. 

Contudo, há um argumento (utilizado pela autora) que considero inapropriado e falacioso para qualquer assunto que envolva a Política ou a Sociedade Civil: «a maioria dos portugueses é católica».

Ainda que seja verdade (e acredito que seja), este argumento de maioria católica não deveria ser válido.

Temos já vários exemplos:

A maioria dos portugueses é católica, logo não deveria existir legislação que permita a Interrupção Voluntária da Gravidez. (Deixem-me voltar aos primeiros parágrafos que escrevi. Durante a campanha para o Referendo à Despenalização do Aborto em 2007, uma das minhas quezílias com o pároco, foi sobre a intimidação dos cristãos a votarem "Não" porque será pecado não só a prática do aborto, como também a inação dos cristãos ao deixarem que tal seja despenalizado. Qualquer outro argumento não era válido - e apesar de ser a favor desta despenalização, reconheço que há argumentos válidos contra a mesma.).

A maioria dos portugueses é católica e heterossexual, logo um contrato civil intitulado de casamento (atenção que nunca se tratou do Sacramento Cristão que se designa de Matrimónio) entre pessoas do mesmo sexo não deveria ser permitido. Só porque ameaça seriamente o desígnio cristão para o que a Sociedade deve considerar como Família - entram aqui outras situações como o divórcio.

A maioria dos portugueses é católica, logo não deveria existir legislação que despenalize a Eutanásia, porque o único que pode determinar a nossa Vida ou Morte é Deus. Aposto que se existisse um Referendo, as homilias seria repletas de ameaças com o fogo do Inferno a quem adotar tal prática e até mesmo se os cristãos permitirem que se legisle sobre a Eutanásia. Além disso, atribui-se a "propriedade" da Vida a Deus, o que para alguém que não acredite Nele se torna um argumento ridículo.

Poderia continuar, mas creio que já entenderam.

O nosso Estado é Laico (conquista conseguida após a Implantação da República a 5 de outubro de 1910), como tal deve abranger todos os cidadãos independentemente do seu Credo. Logo, a maioria cristã não deverá ser argumento para impedir que se consagrem direitos individuais das minorias que não professam da mesma fé.

A maioria dos portugueses até pode ser cristã, mas relembro que apesar da Moral da sociedade portuguesa, por motivos históricos, ter como pilar a moral da religião Cristã, não significa que se limite por esta. Até porque a moral religiosa tende a ser imutável, independentemente das mudanças que ocorram na própria Humanidade, e a Moral da Sociedade pode e deve acompanhar a evolução social. 

E no caso das referidas (no texto de Maria João Marques) aulas de Religião e Moral (ou Ratos Mortos, como "carinhosamente" apelidávamos a disciplina), recordo que na minha altura (ali pelos anos 90) a única religião era a Católica Cristã e a única Moral era a defendida por essa Religião - até porque a maioria dos professores estava ligada à Igreja. Ora num Estado Laico, a educação religiosa cabe às instituições religiosas e não às instituições estatais. 

No fundo, afinal parece que só concordo com a existência dos "ateus-carrapato", que são tão indesejáveis e criticáveis quanto os religiosos fanáticos.

 

 

Individualidade, Sociedade e Humanidade

Hoje acabei por ser "forçado" a refletir um pouco ao ouvir um argumento de alguém contra a despenalização da Eutanásia - não se trata de mais um texto sobre Eutanásia, o tema foi apenas o ponto de partida

Ora, resumidamente, o argumento centrava-se no conceito de que numa sociedade moderna/evoluída não podemos estar a permitir uma violação de direitos constitucionais por uma questão de individualidade. Que os cidadãos são cada vez mais egoístas e vão perdendo a sua humanidade nestas lutas para verem reconhecidos direitos individuais - claro está, contra a suma vontade da Sociedade.

Esta não é só a base de um argumento para este tema em concreto, pois já serviu de base a outras situações como a Interrupção Voluntária da Gravidez, o Casamento entre cidadãos do mesmo sexo ou a Adopção por casais homossexuais.Ou seja, sempre que uma minoria dos cidadãos reclama um direito individual - que muitas vezes interfere com a Sociedade tão só se atendermos àquilo que chamam de Valores Morais (que na minha opinião continuam retrógrados e numa relação siamesa com a Religião) - a maioria reúne-se para mais um julgamento em Auto de Fé, indignando-se perante a possibilidade de "meia dúzia" de indivíduos estarem a atacar aquilo que consideram ser os pilares basilares da Sociedade - ainda que não exista qualquer ataque e esses pilares sustentem apenas a leveza de meras ideias.

E isto fez-me pensar. Procurar ver reconhecidos direitos individuais é um sinal de recuo da Sociedade e da Humanidade? A necessidade de manter a Individualidade é uma questão de egoísmo?

Se assim for, terei de passar a usar o cognome de "O Retrógrado" e apresentar-me como Aquele-que é-do-mais-egoísta-conheço!

Saber o que está primeiro, se é a Individualidade ou a Sociedade, é algo como questionar se surgiu primeiro o ovo ou a galinha. Isto porque acredito que não há Sociedade sem Indivíduo, mas também não há Indivíduo sem Sociedade. Pois se a Sociedade resulta do conjunto de relações de diferentes Individualidades, por seu turno a Individualidade só consegue existir face à Sociedade. Creio que um indivíduo que hipoteticamente estivesse sozinho desde o seu primeiro momento, dificilmente conseguiria atingir o conceito de Individualidade, pois não teria a contraposição da Sociedade. 

Há coisas que só existem e persistem por contraposição a outras. A Morte só existe porque existe Vida, certo? Sabemos o que é Alegria porque também conhecemos a Tristeza. Eu reconheço, exerço e exijo que respeitem a minha Individualidade porque estou em constante relação com outros indivíduos numa Sociedade.

Do mesmo modo, a Humanidade deverá ser o conjunto de todas aquelas características - que não se limitam à Biologia - que me completam como Ser Humano. E um Ser Humano pleno necessita quer de exercer da sua Individualidade, quer de interagir em Sociedade. Para não me alongar sobre esta parte de Humanidade e Ser Humano, podem ler outro texto meu aqui - se assim acharem oportuno.

Sou, pois, da opinião de que Individualidade, Humanidade e Sociedade não existem em separado, nem nenhuma se pode referir como superior à outras.

Assim sendo, reconhecer que o Indivíduo é um ser complexo com um vasto leque de direitos individuais, pode ser considerado um recuo na Sociedade ou Humanidade? Ou o verdadeiro avanço - o Futuro desejado - é que Individualidade, Sociedade e Humanidade atinjam o seu exponente máximo, reconhecendo em plenitude cada uma e a fomentando a importância da relação entre todas?

 

 

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D